quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Sem Reservas...

Começar um blog, pela primeira vez, causa um desacerto nas idéias. É algo como chegar "de mala e cuia" àquele hotel de sonhos, do outro lado do mundo, e descobrir que não foram feitas as suas reservas. Ficar ali, diante do enigmático gerente que sorri enquanto lhe dá a má notícia é como ficar diante do espaço sorridente do blog, que aguarda de mim a decisão sobre o que fazer com um assunto que de maneira alguma o afeta - porque, afinal, as reservas não foram feitas.

Em Rishikesh, diante de uma situação como essa, consultei meu operador de turismo local, o Mahesh, que respondeu com uma simplicidade digna dos grandes mestres: "relax and adjust".

Ajustar-se à situação é tudo o que o viajante não deseja fazer. O turista padrão viaja para tentar encontrar alhures o suporte para seus próprios hábitos, em versão exótica. Ele adora ser surpreendido, desde que dentro dos limites de sua expectativa. Afinal de contas, quem paga uma viagem para longe, paga para ter aquilo que deseja, ainda que seja algo imprevisível. Tudo deve se ajustar ao viajante, que naturalmente prefere não se ajustar a coisa alguma.

Mas o Mahesh está absolutamente certo. O que estraga a vida da gente é essa mania de ficar planejando até mesmo o tamanho do susto. Acomodar-se ao previsível é o mesmo que escrever poesia com base na gramática. Ajustar-se ao inesperado é quase um método compacto de atingir a iluminação. Não estou exagerando, não. Minha experiência ensinou que as melhores oportunidades surgem inesperadamente, e que as mais importantes decisões que tomamos são as que surgem diante de acontecimentos que jamais havíamos previsto - são elas que realmente mudam o rumo de nossas vidas.

É por isso que costumo aconselhar meus amigos a estar preparados para as oportunidades inesperadas. Elas são as portas que se abrem para os melhores futuros momentos de nossas vidas. E a maior parte de nós fica apenas olhando irritado para a cara do gerente, sem saber se briga com ele ou se agarra o operador de turismo pelo colarinho.

Pois é. Eu quero meus futuros melhores momentos assegurados em minha vida. Não abro mão disso. Então eu sigo o conselho do Mahesh e me ajusto. Sempre.

Por isso eu inaugurei este blog do "Sânscrito bem temperado". Simplesmente porque jamais me imaginei escrevendo um blog. E também porque adoro Sânscrito - escrito, falado, e bem temperado, é claro.

Nenhum comentário: